Aquela velha mania de fazer pela metade e cobrar por inteiro.
Então foi que mais uma vez, e vocês vejam que antes de saber o que, já sabemos que não foi a primeira vez. Então, mais uma vez, ele foi lá, e ofereceu a ela o seu meio amor.
Ao lado do casal, caminhou por um longo período a certeza que o meio amor dele não era qualquer meio amor, e mesmo ao meio valia muito mais do que a maioria dos amores inteiros que a gente encontra na praça.
Era o que eles achavam, aliás, era o que ele tinha como certeza e ela como destino e feliz que estavam foram se conformando e vivendo esse meio amor.
Pois bem, no pacote vinham também meio quereres, meias declarações, meio interesses e um
tiquinho de meias verdades. Se o sexo não fosse por inteiro, se a vontade e os desejos não valessem por mais do que os dois, a realidade do saldo negativo, há algum tempo, tinha os alertados.
Mas a vida corrige alguns rumos e cobra algumas diferenças, não tem jeito. E assim foi que num belo dia a
fatura foi lançada e o caixa fechou em vermelho.
Nesse dia a moça percebeu que se dava por inteiro e recebia pela metade. E nesse dia ela também resolveu que iria correr atrás do prejuízo. Não correu, achou que reclamar a sua parte seria o suficiente.
Foi, cobrou e chorou! A parte que lhe faltava não estava guardada, não estava escondida e não lhe pertencia como era de se esperar. Suas meias partes roubadas, por longos 3 anos fizeram crescer e florir um grande amor por inteiro, amor que não era dela.
Mas não pense que a história faz do moço um vilão, pois essa sorte teria lhe poupado o sofrimento de olhar para si e se ver no meio de mais um caminho, mais um caminho que não levou a lugar nenhum. Mais um caminho ao meio. Uma jornada que não se acaba. Nunca é inteira.
A moça chorando, guardou pra si seu amor em pedaços e antes que o vento lhe assoprasse as partes quebradas do coração, bateu-lhe a porta um alguém que se ofereceu a junta-las e
faze-las inteira de novo.
O moço, hoje cobra por inteiro o que sempre deu pela metade e sonha com o dia em que deixará de receber ao meio, o que pretende dar pelo dobro.
E a vida, em cálculos às mãos, pela fortuna de alguns e a miséria de outros vai fechando seu saldo e sorrindo aos amores que se completam.
E assim a conta nunca
zera.