Sempre apreciei a chuva,
Não saberia dizer qual o motivo desse fascínio.
De certo, sua melancolia me comove.
Isso é bem notável, se você me conhece sabe disso.
Mas a chuva mexe comigo como poucas damas mexeram.
Talvez pelo conforto,
Ela lá fora me traz a delícia de estar aqui dentro.
Talvez pelo cheiro,
Ah , como é gostoso o cheiro da chuva evaporando no chão quente.
Ou numa tarde ensolarada trazendo a névoa de poeira do campo.
Talvez pela dor,
Ninguém é impassível à chuva.
Isso é certo, não se pode negar.
Ela gela, ela lava, ela cega.
Mudamos o nosso tempo , mudamos nossas direções.
Alteramos nossas vidas entre os caminhos que se molham.
Gosto de vê-la chegar
Fico admirado com a imponência de seu anúncio.
Nuvens negras, ventos fortes.
Gosto até do medo , medo da água.
Logo nós que somos tanto líquido.
A chuva que germina, também afoga.
È só água , mas bem podia ser amor.
Amor, coisa gostosa, coisa perigosa.
Faz a gente por pra fora o que temos de melhor.
Faz a gente ver lá dentro o que temos de pior.
A diferença existe somente no ir e vir, no chegar e partir.
Fecho os olhos e lembro da cidade e suas luzes refletidas na tela do asfalto.
Gotículas nos vidros , formam quadros que flutuam.
Lá fora escuto a chuva marcando o tempo dos carros que passam.
Sinto a face molhada ,
Entre meus dedos gotejam sonhos.
Provo seu sabor , não quero perder a sua intensa vontade de cair
É salgada.
É só água, mas bem podia ser amor.
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