Era chegada a hora, tinha que ser. Já fazia algum tempo que aquele tema a incomodava. Não o tema em si, mas a motivação que ele tinha para tratá-lo. Isso lhe bastava, lhe condenava e tinha que mudar. Mesmo que na prática isso não alterasse nada.
Ele e ela tinham um acordo. Nunca ninguém viu, nunca ninguém assinou, mas existia no silêncio dos corpos nus sobre a cama algo que fazia existir entre ambos uma aliança . Ela sabia e ele sabia que a vida depois daquele laço nunca mais seria a mesma, mas a sua saudade, sua tristeza e sua vontade pediam para que ela quebrasse o acordo. Mesmo que na prática isso não mudasse nada.
Era difícil pra ela lembrar dos tempos em que os dois permitiam se tudo, com todos e para todos. Doía lhe o peito pensar que aquela amizade já não cabia mais em seu objetivo, em seu querer.
Ela não era apegada a isso, nunca imaginou que seria, não com ele. Pior, assumir a condição absoluta de querer só pra si, proporcionava ter que dar toda de si. E isso ela nem podia, talvez isso ela nem queria. Mas mesmo assim ela decidiu fazer, decidiu cobrar. Mesmo que na prática isso não mudasse nada.
Pois ela foi, respirou fundo e meio sem jeito disse sem hesitar, sem chorar, sem pensar, mas disse alto, “não quero ser mais uma flor”.
Ele, que de tão longe vinha regando o jardim, que a tanto sofria com os espinhos das flores que podava e sempre esperou por isso, mal soube o que fazer, mal soube como sorrir. E sua resposta foi muito simples, “você é todas as flores e a única flor de meu jardim”.
E isso ele podia provar.
Mesmo que na prática, isso não mudasse nada.
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